[MINHA OPINIÃO] Misery - Stephen King
Autor: Stephen King
Editora: Suma Letras
Sinopse: Paul Sheldon é um famoso escritor reconhecido pela série de best-sellers protagonizados por Misery Chastain. No dia em que termina de escrever um novo manuscrito, decide sair para comemorar, apesar da forte nevasca. Após derrapar e sofrer um grave acidente de carro, Paul é resgatado pela enfermeira aposentada Annie Wilkes, que surge em seu caminho. A simpática senhora é também uma leitora voraz que se intitula a fã número um do autor. No entanto, o desfecho do último livro com a personagem Misery desperta na enfermeira seu lado mais sádico e psicótico. Profundamente abalada, Annie o isola em um quarto e inicia uma série de torturas e ameaças, que só chegarão ao fim quando ele reescrever a narrativa com o final que ela considera apropriado. Ferido e debilitado, em Misery – Louca obsessão, Paul Sheldon terá que usar toda a criatividade para salvar a própria vida e, talvez, escapar deste pesadelo.
Curiosidade: Originalmente, "Misery" chegou ao Brasil com o título de "Angústia", na década de 80, e foi publicado pela (falecida) Editora Francisco Alves, com o selo "Mestre do Horror e da Fantasia". Então, na década de 90, "Misery" ganhou sua adaptação cinematográfica sob o título de "Louca Obsessão".
"Ele descobrira três coisas quase simultaneamente, uns dez dias após ter emergido da nuvem escura. A primeira era que Annie Wilkes tinha bastante Novril (na verdade, tinha muitos remédios de vários tipos). A segunda era que ela era viciada em Novril. A terceira era que Annie Wilkes era perigosamente louca." (p.17)
Eu queria falar um pouco da diagramação do livro, porém, se eu fizer isso, darei spoilers. Então, não!! (haha)
Mas, já adianto que a diagramação ficou ótima, com todos os detalhes pensados para encaixar perfeitamente com o enredo.
Através do ponto de vista de Paul, o autor consegue passar todos os tipos de sentimentos que o protagonista sente, enquanto prisioneiro de sua "fã número um". Típico de King, ele vai até quase a metade do livro construindo e amaciando o cenário de sua história, mas quando chega a tão esperada ação, dá para ter mini infarto. (rsrs)
O livro não tem nenhum elemento sobrenatural, como em outros livros do autor. É algo mais próximo da realidade, algo que por mais absurdo que possa parece, (infelizmente) existe. Ele brinca com a insanidade, transformando a leitura em algo cheio de surpresas e fazendo o leitor tentar imaginar o que acontecerá dali por diante. Pode ser difícil acreditar na loucura de Annie e nas atrocidades que ela era capaz de fazer. Sua loucura chegava ao ponto de mexer com o psicológico de Paul, em muitos momentos.
(...) A lata de lixo aberta derramava seu conteúdo pelo chão e emitia o odor morno de comida estragando, mas aquele não era o único cheiro errado, nem o pior. Havia outro que parecia existir apenas em sua mente, mas que não era menos real por causa disso. Era perfum de Wilkes: o odor da obsessão psicótica. (p.175)
King é muito talentoso com as palavras e sabe usá-las para te envolver. É praticamente impossível não sentir o coração acelerando em algumas partes, ou deixar de sentir o turbilhão de sentimentos que passam pelo protagonista, ou torcer para que algo de muito ruim aconteça com Annie.
Enfim, o autor brinca com os limites e horrores da natureza humana. Diria até que pode causar reações físicas no leitor. King, ainda coloca uma boa dose de humor negro no texto.
Leitura SUPER RECOMENDADA!!
Beijos Literários!


















